
Diagnóstico molecular e tipificação de aMPV (Metapneumovírus Aviário)
O Metapneumovírus Aviário (aMPV), pertencente à família Pneumoviridae e ao gênero Metapneumovirus, é um importante agente respiratório da avicultura industrial. Trata-se de um vírus envelopado de RNA de fita simples e sentido negativo, com genoma de aproximadamente 15 kb, organizado em oito genes (1, 2, 3, 4, 5).
É o agente primário da rinotraqueíte dos perus (TRT) e está associado à síndrome da cabeça inchada (SHS) de frangos de corte e matrizes. O vírus apresenta tropismo pelo epitélio do trato respiratório superior, onde sua replicação pode provocar a perda da integridade do tecido e de cílios, hiperplasia da mucosa e comprometimento imunológico local. Além das doenças primárias, alterações favorecem a ocorrência de infecções secundárias por E. coli, IBV e Mycoplasma gallisepticum, contribuindo para o agravamento dos sinais clínicos, aumento da mortalidade, descarte de carcaças e perdas relacionadas à produção e à qualidade dos ovos em matrizes e poedeiras (1, 3, 4, 5).
A epidemiologia do aMPV é marcada por elevada diversidade genética e variação antigênica. Aves migratórias podem atuar como reservatórios e contribuir para sua disseminação ao longo das rotas migratórias, desempenhando um papel de ligação para granjas e ampliando as possibilidades de introdução e circulação de diferentes variantes (3).
O vírus é classificado em quatro subtipos principais (A, B, C e D), diferenciados principalmente com base na sequência do gene que codifica a glicoproteína de adesão G. Entre os subtipos descritos, A e B apresentam maior relevância para a avicultura industrial, com distribuição global e ocorrência principalmente em frangos e perus. Ambos possuem circulação bem documentada na América Latina, com registros no Brasil, Colômbia e México, constituindo os principais subtipos diagnosticados na avicultura comercial da região. O subtipo C compreende linhagens norte-americana e eurasiática, associadas principalmente a perus e patos, respectivamente, podendo também infectar outras aves comerciais de forma subclínica. O subtipo D está relacionado a registros históricos pontuais (1, 2, 3, 4, 5).
O controle do aMPV se dá através de um programa vacinal eficiente, que pode incluir vacinas vivas, inativadas e recombinantes (subtipos A e B). Ensaios experimentais demonstram a existência de imunidade cruzada e proteção heteróloga entre vacinas dos subtipos A e B (3, 4, 5, 6). No entanto, o nível e a duração dessa proteção variam consideravelmente dependendo da cepa específica, da via de administração e do estado imunitário do hospedeiro (1, 4).
O diagnóstico molecular laboratorial assume papel importante na identificação do agente e na caracterização das variantes em circulação. A excreção viral no trato respiratório superior pode ser transitória e, em associação à ocorrência frequente de infecções, dificulta a interpretação baseada exclusivamente em sinais clínicos. A sorologia, por sua vez, apresenta limitações quando é necessária uma resposta rápida e específica para a investigação de sinais respiratórios (1, 4, 5). A RT-qPCR constitui uma solução acurada e altamente sensível para a detecção precoce do aMPV, inclusive para a tipificação dos subtipos A e B, e a identificação do subtipo em circulação acrescenta informações à investigação epidemiológica e ao monitoramento sanitário, contribuindo para o acompanhamento de cepas de campo e da circulação viral.
A Simbios disponibiliza serviços de análise e NewGene AMPVAmp para diagnóstico molecular e tipificação dos subtipos A e B do aMPV, além de sequenciamento e análise filogenética. Os serviços podem ser realizados a partir de amostras de traqueia ou suabes traqueais, bem como de isolados virais, contribuindo para a investigação de quadros respiratórios e o monitoramento da circulação e da diversidade genética do vírus.
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