
Qualidade pré-analítica - Transporte de amostras utilizando FTA Cards
Vimos em artigos anteriores que a etapa pré-analítica desempenha papel importante na qualidade dos resultados de análises laboratoriais, e isto inclui o transporte de amostras biológicas. Os FTA Cards oferecem solução bastante interessante, simplificando e tornando seguro o transporte de materiais biológicos. Estes cartões foram desenvolvidos para coletar e armazenar amostras de maneira eficiente, possibilitando a detecção de ampla variedade de agentes patogênicos, como bactérias, micoplasmas e vírus de DNA e RNA.
Como funcionam os FTA Cards?
Os FTA Cards são fabricados com papel de filtro especial impregnado com reagentes químicos capazes de lisar células, desnaturar proteínas e proteger ácidos nucleicos da ação de nucleases, oxidação e danos UV. Isto promove a inativação rápida e completa do material infeccioso, garantindo segurança no transporte e a integridade do material genético para análises. O tempo de inativação de patógenos virais em cartões FTA varia consideravelmente dependendo do vírus e do protocolo utilizado (estudos mostram inativação completa entre 1 hora a 24 horas).
Vantagens dos FTA Cards
Segurança: inativam o material infeccioso, reduzindo os riscos de contaminação durante o transporte, permitindo o envio seguro de amostras até pelo correio convencional, facilitando o transporte internacional.
Praticidade: Simplificam a coleta de amostras, eliminando a necessidade de refrigeração e permitindo o transporte em temperatura ambiente, reduzindo custos com o envio.
Versatilidade: São compatíveis com a detecção de ampla gama de agentes patogênicos, incluindo bactérias, micoplasmas e vírus de DNA e RNA.
Desafios, limitações e considerações importantes
Perda de sensibilidade: testes com amostras armazenadas em FTA Cards podem apresentar sensibilidade reduzida em comparação às amostras frescas ou extraídas diretamente. Essa limitação pode ser atribuída ao menor volume disponível para extração de RNA, à possível degradação do material genético e a fatores ambientais, como temperatura e umidade elevadas (1, 2, 3, 4 e 5).
Erros na coleta: variações na reprodutibilidade observadas em diferentes estudos podem indicar falhas no procedimento de coleta, destacando a importância de protocolos padronizados para o manuseio e aplicação das amostras nos cartões.
Diluição e perda de material: a quantidade de material no cartão impacta diretamente a sensibilidade do teste. Para maximizar a detecção, é fundamental garantir adequada aplicação da amostra biológica na área de absorção do FTA Card (6).
Temperatura de armazenamento/transporte: a estabilidade do material genético viral em FTA Card pode ser afetada por variações de temperatura, com elevações térmicas acelerando a degradação e reduzindo a integridade. Embora dispensem refrigeração, o armazenamento e transporte devem ocorrer em condições ambientais controladas para preservar a qualidade da amostra (2, 3 , 4).
Apesar de algumas limitações, os cartões FTA são uma alternativa interessante para o transporte de amostras biológicas para análises moleculares (PCR e sequenciamento), especialmente quando a refrigeração não é viável. No entanto, é essencial compreender suas restrições e seguir protocolos adequados de aplicação. Quando utilizados corretamente, oferecem praticidade, segurança e eficiência no transporte e armazenamento de amostras biológicas.
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Rattanamas, K., Taesuji, M., Kulthonggate, U., Jantafong, T., Mamom, T., & Ruenphet, S. (2022). Sensitivity of RNA viral nucleic acid-based detection of avian influenza virus, Newcastle disease virus, and African horse sickness virus on flinders technology associates card using conventional reverse-transcription polymerase chain reaction. Veterinary World, 15(11), 2754.
Cardona-Ospina, J. A., Villalba-Miranda, M. F., Palechor-Ocampo, L. A., Mancilla, L. I., & Sepúlveda-Arias, J. C. (2019). A systematic review of FTA cards® as a tool for viral RNA preservation in fieldwork: Are they safe and effective? Preventive veterinary medicine, 172, 104772.
Józwiak, M., Wyrostek, K., Domanska-Blicharz, K., Olszewska-Tomczyk, M., Smietanka, K., & Minta, Z. (2016). Application of FTA® Cards for detection and storage of avian influenza virus. Journal of Veterinary Research, 60(1), 1-6.
Manswr, B., Ball, C., Forrester, A., Chantrey, J., & Ganapathy, K. (2018). Evaluation of full S1 gene sequencing of classical and variant infectious bronchitis viruses extracted from allantoic fluid and FTA cards. Avian Pathology, 47(4), 418-426.
Linhares, D. C., Rovira, A., & Torremorell, M. (2012). Evaluation of Flinders Technology Associates cards for collection and transport of samples for detection of Porcine reproductive and respiratory syndrome virus by reverse transcription polymerase chain reaction. Journal of Veterinary Diagnostic Investigation, 24(2), 328-332.