Monitoramento de ETEC na Suinocultura

A infecção por Escherichia coli Enterotoxigênica (ETEC) representa um dos desafios sanitários e econômicos mais persistentes na suinocultura, exigindo abordagem fundamentada no conceito de Saúde Única (One Health). Este enfoque reconhece que a saúde dos suínos, a saúde humana e o equilíbrio ambiental são interdependentes e dinâmicos. A ETEC não apenas causa prejuízos diretos à produção, através da redução do ganho de peso e mortalidade, mas também atua como um fator ecológico em uma rede complexa que envolve reservatórios animais, contaminação ambiental e o risco de disseminação de genes de resistência antimicrobiana. 

O cenário reforça a crescente preocupação com o uso racional de antibióticos na produção de proteína animal, tema central nas exigências regulatórias e comerciais do mercado internacional. Compreender essa dinâmica é fundamental para implementar medidas de controle capazes de preservar a rentabilidade, promover o uso responsável de antibióticos e fortalecer a segurança e a sustentabilidade da cadeia produtiva (1).

A manifestação clínica da ETEC, conhecida como colibacilose entérica, ocorre de forma crítica em duas fases distintas, cada uma apresentando desafios específicos:

Fase de Maternidade (diarreia neonatal): acomete leitões geralmente entre o 1º e o 4º dia de vida. Devido à imaturidade do trato gastrointestinal e do sistema imunológico, a doença se manifesta como diarreia aquosa severa, podendo levar a taxas de mortalidade de até 70% em lotes afetados.

Fase de Creche (diarreia pós-desmame): ocorre tipicamente nas primeiras duas semanas após o desmame. É um período de alto estresse e mudança de dieta, onde a morbidade é variável, com prejuízos acentuados pela perda de desempenho zootécnico e desuniformidade dos lotes (2).

A patogenicidade da ETEC é determinada por sua capacidade de expressar fatores de virulência que permitem a colonização e a indução de diarreia:

1. Fímbrias (Adesinas): estruturas que permitem a adesão bacteriana ao epitélio intestinal. As fímbrias F5 (K99), F6 (987P) e F41 são predominantes na fase neonatal, enquanto a F18 está associada à fase de creche. A fímbria F4 (K88) é versátil, atuando em ambas as fases.

2. Enterotoxinas: após a adesão, a bactéria secreta toxinas que rompem a homeostase celular. A Enterotoxina Termolábil (LT) ativa a adenilato ciclase, elevando o AMP cíclico (AMPc). As Enterotoxinas Termoestáveis (STa e STb) promovem a secreção de fluidos via GMP cíclico e aumento de cálcio intracelular, respectivamente. Além disso, a toxina Shiga-like (Stx2e) pode estar presente em infecções híbridas, sendo o agente causal da doença do edema (3).

A ETEC causadora da colibacilose neonatal geralmente apresenta as fímbrias F4 (k88), F5 (k99), F6 (987P) ou F41, enquanto a ETEC causadora da diarreia pós-desmame apresenta as fímbrias F4 (k88) e F18 (2, 4).

O diagnóstico tradicional baseado em cultura bacteriana e sorotipagem fenotípica é limitado, pois não diferencia E. coli comensais de linhagens patogênicas que levam à disbiose. O kit NewGene CMAmp foi desenvolvido para o mapeamento molecular de um painel abrangente de fatores de virulência essenciais ao diagnóstico e à vigilância epidemiológica em suinocultura. Sua tecnologia reúne alta sensibilidade, elevada especificidade, capacidade de detecção multiplex e precisão analítica, permitindo a identificação simultânea de múltiplos alvos em uma única reação e fornecendo resultados confiáveis para a tomada de decisão. 

A utilização dos kits NewGene CMAmp possibilita uma vigilância molecular precisa através da detecção dos Genes F18, Stb, F41 (Multiplex 1), Stx2e, 987P, LT (Multiplex 2) e StaP, K88 e K99 (Multiplex 3) de E. coli, fornecendo informações que subsidiam a adoção de medidas de controle direcionadas. Essa abordagem contribui para a saúde animal, a melhoria dos índices produtivos e o uso racional de antimicrobianos, em consonância com os princípios da One Health.


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