
ISKNV: diagnóstico molecular e monitoramento sanitário
O Vírus da Necrose Infecciosa do Baço e do Rim (Infectious Spleen and Kidney Necrosis Virus – ISKNV) pertence ao gênero Megalocytivirus, da família Iridoviridae, e possui genoma de DNA de fita dupla. Associado a surtos de elevada mortalidade em diferentes espécies de peixes marinhos e de água doce, representa um importante desafio sanitário para a aquicultura, especialmente na produção de tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus).
Desde a descrição dos primeiros surtos em cultivos de tilápia em diferentes regiões do mundo, a infecção passou a receber maior atenção devido ao seu potencial de disseminação e aos impactos produtivos associados. No Brasil, o primeiro deles foi descrito em 2020, com mortalidade de até 75%, principalmente entre alevinos e juvenis (1).
A expressão clínica da infecção é variável e pouco específica. Alterações como natação errática, anorexia, palidez das brânquias, hepatomegalia e esplenomegalia podem estar presentes, mas não permitem, isoladamente, estabelecer a etiologia do quadro. Além disso, a contaminação por ISKNV pode estar associada à ocorrência de infecções bacterianas secundárias, tornando a interpretação clínica ainda mais complexa (2). Nesse contexto, a identificação do agente por métodos moleculares constitui uma ferramenta importante para diferenciar a participação do ISKNV de outros agentes presentes no cultivo.
A detecção por PCR em tempo real (qPCR) permite identificar o DNA viral diretamente nas amostras biológicas e pode contribuir para o diagnóstico mesmo diante de manifestações clínicas inespecíficas. A qualidade do resultado, entretanto, depende também da adequada seleção e coleta do material. Para a investigação de ISKNV, podem ser analisados tecidos como baço, rim, fígado e cérebro. Considerando o tropismo do vírus e a distribuição do agente nos tecidos, a utilização de um pool de rim e baço constitui uma alternativa relevante para a investigação molecular, especialmente quando se busca ampliar a representatividade da amostra. A boa coleta na etapa pré-analítica é, portanto, parte fundamental de uma estratégia diagnóstica robusta e confiável.
Além da investigação de animais com sinais clínicos, a aplicação da qPCR amplia as possibilidades de monitoramento sanitário dos plantéis. A detecção molecular pode ser empregada na investigação de lotes, na avaliação de peixes antes de sua movimentação e como parte de programas de vigilância destinados a reduzir o risco de introdução ou disseminação do agente. Essa abordagem é particularmente relevante para a biosseguridade, considerando a ausência de tratamento eficaz estabelecido e as medidas de controle necessárias após a confirmação de um foco.
O diagnóstico molecular integra as estratégias de prevenção e controle do ISKNV na aquicultura. A identificação precoce do agente fornece informações para a tomada de decisão sanitária, enquanto o monitoramento contínuo contribui para a avaliação do status dos lotes e para a redução dos riscos associados à movimentação de animais e materiais entre unidades de produção. A adoção dessas medidas, associada às práticas de biosseguridade, é fundamental para limitar a disseminação do vírus.
A Simbios Biotecnologia disponibiliza serviços de diagnóstico por qPCR para identificação de ISKNV e a solução NewGene ISKNVAmp, destinada à detecção do vírus em rotina laboratorial. Também contamos com o ISKNVRef, controle positivo essencial para boa prática do laboratório, permitindo integrar a detecção molecular às estratégias de monitoramento sanitário em aquicultura.
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