Circovírus suíno: desafio constante na suinocultura Simbios Biotecnologia

Circovírus suíno: desafio constante na suinocultura

Pertencente à família Circoviridae, o Circovírus suíno (PCV) é um dos principais patógenos da suinocultura, responsável por expressivas perdas econômicas. Descrito como o agente da Síndrome do Definhamento Multissistêmico Pós-Desmame (PMWS), atualmente também está associado ao conjunto de enfermidades denominadas Doenças Associadas ao Circovírus Suíno (PCVAD), que incluem o Complexo Respiratório Suíno (CRS) e a Síndrome da Dermatite e Nefropatia Suína (SDNS), além de falhas reprodutivas e enterite granulomatosa. Agravamentos por coinfecções, caso de PCV2 associado ao Mycoplasma hyopneumoniae, tornam-se desafios importantes ao intensificarem lesões e aumentar a disseminação sistêmica de ambos os patógenos. 

A infecção subclínica pelo PCV2 é a forma mais comum e altamente prevalente. Nestas, a carga viral tende a ser baixa, com lesões mínimas ou ausentes, enquanto em casos clínicos, observa-se carga viral moderada a alta, associada a lesões significativas. A interpretação destes dados pelos médicos veterinários, em associação aos resultados laboratoriais por qPCR, são fundamentais para diferenciar infecções subclínicas de quadros clínicos e definir estratégias eficazes de controle e manejo sanitário, (assunto que será explorado num próximo texto).


Os circovírus suínos são classificados em quatro espécies distintas:

PCV1: Geralmente considerado não patogênico.

PCV2: Causa perdas econômicas significativas na suinocultura, sendo o agente etiológico da Circovirose Suína e envolvido em outras síndromes chamadas de Doenças Associadas ao Circovírus (PCVAD).

PCV3: Descoberto em 2015, com importância clínica considerada comparável à do PCV2, mas ainda sob investigação, apresenta similaridades clínicas com o PCV2, mas baixa identidade genômica.

PCV4: Recentemente identificado, com pouca informação disponível.


O genoma do PCV2 é composto por DNA fita simples, contendo 11 ORFs, das quais ORF1 e ORF2 são essenciais e representam 93% do genoma. ORF1 codifica as proteínas Rep, responsáveis pela replicação viral, enquanto ORF2 codifica a proteína do capsídeo, responsável pela propagação, - e altamente imunogênica -, por isto, relevante no desenvolvimento de vacinas. 

A diversidade genética na ORF2 permite a classificação do PCV2 em oito genótipos, de PCV2a a PCV2h.  Dentre eles, os mais prevalentes e clinicamente relevantes são PCV2a, PCV2b e PCV2d. Estudos indicam que o PCV2d apresenta virulência semelhante aos genótipos PCV2a e PCV2b em suínos susceptíveis. PCV2c, PCV2e, PCV2f, PCV2g e PCV2h são considerados de menor importância.


Por quê conhecer o genótipo de PCV2?


  • A alta variabilidade genética do PCV2 e o surgimento de novos genótipos demandam monitoramento constante para garantir a eficácia das vacinas, exigindo a vigilância epidemiológica molecular e;
  • As estratégias de vacinação devem ser adaptadas às mudanças nos genótipos circulantes e às condições de cada granja.


O diagnóstico preciso e a genotipagem são ferramentas importantes para identificar a dinâmica da infecção e adaptar as estratégias de controle. O controle sanitário deve ser abrangente, combinando vacinação, biosseguridade e vigilância epidemiológica molecular.

As primeiras vacinas foram desenvolvidas com base no genótipo PCV2a, prevalente no passado. Apesar da predominância atual dos genótipos emergentes PCV2b e PCV2d no mundo, inclusive no Brasil, estudos indicam que as vacinas PCV2a mantêm sua eficácia contra esses genótipos. A distribuição regional e a fase de produção pode variar, e co-infecções entre PCV2b, PCV2d e PCV3 têm sido observadas.  A fase de produção também é importante, sendo PCV2b genótipo mais comum em creches, mas PCV2d foi mais frequente em rebanhos de terminação e matrizes (Miotto et al., 2024). 


PCV3 e PCV4


O surgimento do PCV3 levanta novas questões sobre sua relevância clínica e impacto na suinocultura. Embora apresente características semelhantes ao PCV2, sua baixa identidade genômica sugere a necessidade de investigações mais aprofundadas sobre patogenicidade, transmissão e desenvolvimento de vacinas. Paralelamente, estudos sobre o PCV4 são fundamentais para compreender sua potencial implicação na sanidade suína.

Medidas de controle eficientes, baseadas em diagnóstico preciso, vigilância epidemiológica molecular e monitoramento contínuo, são essenciais para mitigar os impactos dos circovírus suínos, preservando a saúde dos rebanhos e a sustentabilidade da suinocultura. 

A Simbios oferece análises abrangentes para diagnóstico e vigilância molecular de PCV2, incluindo detecção, quantificação, sequenciamento e, sob demanda, identificação de PCV3, atualmente em fase de validação.


Referências:

Segalés, J., & Sibila, M. (2022). Revisiting porcine circovirus disease diagnostic criteria in the current porcine circovirus 2 epidemiological context. Veterinary Sciences, 9(3), 110.

Miotto, R., Pissetti, C., Bordin, L. C., & Zanella, J. R. C. (2024). Porcine Circovirus Type 2 Genotypes and PCV3 in Swine Clinical Samples From Brazil. Ciência Animal Brasileira, 25, 77826E.

Miotto, R., Pissetti, C., Reck, C., Martelo, M., Menin, Á., Bordin, L., ... & Zanella, J. R. C. (2024). Investigation of porcine circovirus type 2, type 3 and type 4 in swine clinical samples in Brazil.